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Dentre todos os doze signos do Zodíaco, Câncer
ou Caranguejo é o que mais está associado à materialidade e concretude. E a
nossa experiência no mundo material sempre envolve a construção e a utilização de formas. Que formas temos construído
e como as estamos utilizando? Que formas queremos construir e como queremos utilizá-las?
Questões como estas, de um modo ou de outro, são trazidas à nossa atenção
durante o mês de Câncer, que este ano vai de 21 de junho a 22 de julho.
A primeira forma que construímos para nos manifestar neste
mundo é o nosso próprio corpo. Ele é
construído ao longo da vida e reconstruído diariamente, através dos nossos
hábitos de alimentação, de respiração, de higiene, de sono e de exercícios
físicos. É construído também de acordo com os nossos hábitos emocionais e
mentais, que influenciam a constituição do corpo muito mais do que geralmente
supomos. É importante cuidar de todos esses fatores, pois o corpo é,
necessariamente, o nosso primeiro e principal instrumento no mundo; todas as
nossas experiências materiais se fazem através dele.
A segunda forma que construímos é a casa. É o nosso porto seguro em meio ao mundo, o nosso local de
refúgio, recolhimento e restauração. Outra forma fundamental é a família, seja a biológica ou aquela
escolhemos ao longo da vida. Ela é o nosso primeiro núcleo de relações humanas,
de apoio mútuo, acolhimento e incentivo.
Corpo, casa, família — a partir destas formas básicas,
todas as demais são construídas: grupos, instituições, Estados. E assim
construímos coletivamente aquela grande forma que chamamos de sociedade. Mas, se, por um lado, a
sociedade é um produto dos indivíduos e famílias, por outro lado, é no seio da
sociedade que nascem e crescem os indivíduos e famílias, amparados por toda a
estrutura e as facilidades que a sociedade provê. Corpo, casa, família e
sociedade — são estas as formas básicas que tornam possível, segura e frutífera
toda a existência humana neste mundo.
A influência de Câncer contribui para que nos mantenhamos
sempre devidamente ancorados no corpo e para que jamais nos afastemos do mundo,
da sociedade e da vida humana comum. Incentiva-nos a não fugir das experiências
concretas e mundanas, mas utilizá-las apropriadamente, para que finalmente
alcancemos um estado de consciência capaz de incluir o interno e o externo, o
espírito e a matéria, o ideal possível e a realidade atual. Assim, o estímulo de
Câncer ajuda-nos a não fazer da espiritualidade um caminho de fuga, mas sim um verdadeiro
caminho de realização integral.
Câncer nos encoraja a buscar manifestar na vida humana
diária as nossas elevadas visões, ideias e sonhos. E a mais poderosa ferramenta
de que dispomos para construir em nossas vidas aquilo que queremos é a imaginação. É na imaginação que todas as
construções começam. Imaginar é construir com energia mental e emocional, e as
formas assim construídas subjetivamente sempre procuram se concretizar. Através
da imaginação, com foco e clareza, podemos reconstruir inteiramente as nossas
vidas e torná-las a materialização de todas as nossas aspirações superiores.
A vida no mundo material pode ser uma experiência de
limitação, escuridão e isolamento, mas também pode ser uma experiência de
liberdade, luminosidade e partilha. As formas que vamos construindo em nossas
vidas podem tornar-se, finalmente, uma prisão que nos confine e nos separe dos
demais. Ou podemos construir formas que, finalmente, convertam a nossa vida
numa estação de luz, na qual tudo o que temos é compartilhado livremente com os
demais. No mês de Câncer, somos levados a lidar com esta questão: Que tipo de
vida estamos construindo?
Ricardo A. Georgini ricardogeorgini@yahoo.com.br
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