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Nota-chave: “Deixo o lar do Pai e, retornando, salvo”.
A Grande
Invocação
Desde o ponto de
Luz na Mente de Deus,
Que aflua luz às mentes dos homens.
Que a Luz desça
à Terra.
Desde o ponto de
Amor no Coração de Deus,
Que aflua amor aos corações dos homens.
Que o
Cristo retorne à Terra.
Desde o centro
onde a Vontade de Deus é conhecida,
Que o propósito guie as pequenas vontades
dos homens —
O propósito que os Mestres conhecem e servem.
Desde o centro a
que chamamos raça dos homens,
Que se cumpra o Plano de Amor e Luz,
E que
ele sele a porta onde mora o mal.
Que a Luz, o Amor
e o Poder restabeleçam o Plano na Terra.
Neste Festival de Lua cheia em Peixes, completamos as nossas breves
considerações sobre cada um dos doze Festivais, iniciadas com o Festival da
Páscoa no signo de Áries. O trabalho com energia que nos é possível mês a mês,
seja em um dos três Festivais maiores ou um dos nove Festivais menores, está
baseado em um tema de grande significado para a humanidade. Este é o tema da
alma que reside no homem, o princípio crístico, e de seu gradual surgimento e
liberação para a plena expressão como influência controladora na vida
diária.
Para compreender
essa possibilidade, é necessário entender a premissa ocultista básica de que
“mesmo o menor átomo de substância contém em si aquilo que pode responder à
estimulação espiritual”. Quando acrescentamos a esta premissa o fato ocultista,
agora confirmado cientificamente, de que tudo é energia, então
descobrimos que toda a vida humana no plano físico consiste em espiritualidade
inerente e potencial, e a energia é aquele fator que pode estimular essa
divindade em nós, da latência à potência. As energias extraplanetárias
disponíveis nesses Festivais de Lua cheia são de origem cósmica e de aplicação
universal e proporcionam a estimulação energética de que a alma necessita em sua
luta por liberação e controle no interior da personalidade humana.
Peixes desempenhou
um grande papel nesse processo evolutivo durante os últimos dois mil anos, pois
é o signo, e portanto a influência energética, que governou esse período da
história. O conhecido símbolo de Peixes é o dos dois peixes ligados por um fio
conector. Isto significa o vínculo existente entre a alma e a personalidade do
indivíduo. Por longas eras, a alma é prisioneira da personalidade. Finalmente,
sob o impacto constante da energia espiritual, e como resultado da experiência
nos vales do modo de vida centrado na personalidade, torna-se possível uma
reversão, que, à medida que se prossegue, permite à alma controlar a
personalidade.
A orientação da
humanidade para o mundo dos valores superiores foi o objetivo principal da Era
de Peixes, que está terminado atualmente, e da influência do sexto raio, que
está desaparecendo tão rapidamente. Embora nunca tenha havido um período em que
esta orientação básica não tenha avançado firmemente, é importante manter em
mente que, durante os últimos dois mil anos, um processo de orientação muito
mais elevado, raro e difícil foi sustentado ante a humanidade, e pela seguinte
razão: o quarto reino da natureza tem sido definitivamente atraído para o alto,
em direção ao emergente quinto reino, e isto fez necessária também a mudança da
atenção, dos três mundos do esforço e expressão humanos para o mundo superior da
consciência da alma. Também foi necessária a refocalização da atenção instintiva
e intelectual, que são os principais fatores no desenvolvimento da consciência
divina. Esta consciência pode ser instintiva, intelectual — e, portanto, humana
— e também espiritual. Mas as três são igualmente divinas, um ponto
frequentemente esquecido.
A redenção da
matéria, a elevação e a expansão da consciência são o propósito subjetivo da
encarnação. O processo redentor libera a vida interna a um estado superior de
consciência. Isto é, e tem sido, a tarefa de todos os salvadores mundiais. Daí o
aparecimento do Cristo como salvador mundial no início da Era de Peixes, dois
mil anos atrás. Ele estabeleceu os princípios nos quais o crescimento e
desenvolvimento necessário poderia basear-se durante esse período.
A humanidade
necessitava construir o princípio espiritual do amor, a faculdade da devoção e a
capacidade de serviço e de autossacrifício. Estes foram aspectos destacados dos
ensinamentos do Cristo e do seu próprio modo de vida. Ele exemplificou aquilo
que ensinava, e assim demonstrou a necessidade de que a teoria, ou a teologia,
se torne um modo prático de vida diária.
A energia liberada
através de Peixes e disponível para nós em meditação estimula a nossa
sensibilidade espiritual inata. Em suas etapas iniciais, esta sensibilidade,
muitas vezes, se encontra psiquicamente polarizada, como uma força emocional
intensamente egocêntrica. Isto produz uma tendência ao fanatismo e a levar os
ideais ou ideias a tais extremos que se tornam uma limitação e impedimento ao
crescimento e à liberação da alma. Vimos os efeitos desta tendência no fanatismo
religioso, por exemplo, que exalta o instrutor mais que o ensinamento, ou
permite o uso da força militar e da tortura em nome da conversão religiosa.
Numa volta superior
da espiral, a energia de Peixes gera o calor do amor e da compaixão, necessário
para a salvação mundial e humana. Esta influência transforma a vida no reino
humano. A tendência ao psiquismo é transformada em percepção e inspiração
espirituais; a ganância, em renúncia; a autopreservação, em abnegado serviço
mundial; a autopiedade, em compaixão, empatia e compreensão divina; a devoção às
necessidades pessoais, em resposta sensível às necessidades da humanidade; o
apego ao ambiente e às condições pessoais, em desapego da forma e capacidade de
identificar-se com a alma.
Estas são
qualidades e valores que ainda precisamos construir em nosso modo de vida, mesmo
ao deixarmos a Era de Peixes para trás e avançarmos para Aquário, a era do
servidor mundial e da fraternidade universal. Tudo que é melhor e mais refinado
em cada era da história humana e em cada etapa do caminho evolutivo torna-se o
alicerce do novo crescimento. Nada de valor jamais é perdido ou descartado. Foi
o firme impacto da força de Peixes o que, finalmente, trouxe a humanidade, o
Discípulo mundial, às portas da iniciação. Por mais de dois mil anos, a
influência de Peixes tem afetado a humanidade. Ela produziu a demanda por um
ajustamento mundial, desenvolveu o espírito internacionalista e conduziu à
formação de grupos em todos os departamentos da vida humana, e assim
lançou o alicerce para a futura síntese em Aquário.
Peixes traz dois
tipos dominantes de energia: a energia do primeiro raio de Vontade ou Poder e a
energia do segundo raio de Amor e Sabedoria. O Propósito e o Plano são, então,
tecidos na consciência da raça humana, para que ela os interprete e revele
através de seu próprio coração e mente em processo de despertar. A fusão de
coração e mente cria um salvador mundial ou um servidor mundial. E diz-se que a
fusão de coração e mente no ser humano, e na vida planetária, é fundamental para
o processo evolutivo neste sistema solar.
A salvação da
humanidade e o serviço ao Plano são os abnegados objetivos do discípulo
influenciado por Peixes. Esta influência construiu a sua potência solidamente na
consciência humana durante os últimos dois mil anos. Assim, atualmente o
discípulo pode verdadeiramente dizer: “Deixo o lar do Pai e, retornando, salvo”.
Esta é a nota-chave do discípulo em Peixes, que deveria constituir o
pensamento-semente para a meditação neste Festival.
Com a conclusão da
ronda zodiacal e do trabalho dos doze Festivais, vamos saudar a fonte cósmica de
toda vida e energia, e afirmar a nossa responsabilidade dentro dela através
destas palavras de um antigo mantra, conhecido como o Gayatri:
Oh
Tu Que dás sustentação ao universo,
De Quem todas as coisas procedem,
A
Quem todas as coisas retornam,
Desvela para nós a face do verdadeiro Sol
Espiritual,
Oculta por um disco de Luz dourada,
Para que possamos conhecer
a Verdade
E cumprir todo o nosso dever,
À medida que caminhamos para Teus
sagrados pés.
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