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Nota-chave: “Perdido estou na luz suprema, mas a esta luz eu volto as costas”.
A Grande
Invocação
Desde o ponto de
Luz na Mente de Deus,
Que aflua luz às mentes dos homens.
Que a Luz desça
à Terra.
Desde o ponto de
Amor no Coração de Deus,
Que aflua amor aos corações dos homens.
Que o
Cristo retorne à Terra.
Desde o centro
onde a Vontade de Deus é conhecida,
Que o propósito guie as pequenas vontades
dos homens —
O propósito que os Mestres conhecem e servem.
Desde o centro a
que chamamos raça dos homens,
Que se cumpra o Plano de Amor e Luz,
E que
ele sele a porta onde mora o mal.
Que a Luz, o Amor
e o Poder restabeleçam o Plano na Terra.
O Festival de Capricórnio provê o tema e o foco da nossa meditação de Lua cheia
neste mês. É dito que Capricórnio é uma das forças mais difíceis de compreender,
porque é o mais misterioso dos doze signos. Isto pode ser porque o verdadeiro
capricorniano pode atuar em qualquer dos dois extremos de consciência — o
materialismo mais denso ou a percepção iluminada do iniciado. Capricórnio
fornece uma imagem bastante completa da humanidade, com seus pés na Terra, mas
correndo livremente e subindo às alturas da ambição mundana ou da aspiração
espiritual em busca daquilo que é percebido como a principal necessidade. Como o
bode, ele é o humano mundano, o ávido buscador da satisfação do desejo, ou o
aspirante, o buscador igualmente egoísta perseguindo a satisfação da
aspiração.
A definição mais
adequada é a de que o ser humano é “um animal mais um Deus vivo dentro da forma
física”. A energia de Capricórnio parece representar, assim como estimular,
estes dois aspectos da constituição humana. Ainda enfocado na natureza material
encontra-se esse ambicioso animal, lutando por seus próprios interesses
egoístas, preparado para fazer de tudo para satisfazer as suas necessidades e
desejos. Os aspirantes ao discipulado, sob a mesma influência, são estimulados e
inspirados em sua escalada para fora das profundezas da vida controlada pela
forma, em direção à luz e à glória da experiência do topo da montanha, ou
iniciação.
Dependendo de onde
um indivíduo se encontre no caminho da evolução, portanto, Capricórnio
estimulará tudo que é material ou centrado na forma ou tudo que é espiritual. Em
Capricórnio, temos o triunfo da matéria; ela alcança sua expressão mais densa e
concreta; mas este triunfo é seguido pelo do espírito. Há uma plena expressão da
natureza mundana em Capricórnio, mas também imensas possibilidades
espirituais.
Capricórnio é um
signo de conclusão, uma vez que representa as profundezas da degradação
ou da cristalização e o ápice da conquista espiritual — os dois pólos de toda a
experiência humana. É também o signo dos novos começos, posto que cada fim é a
conclusão apenas de uma fase ou um ciclo, e cada conquista é um passo para o
crescimento.
Capricórnio
inaugura um novo ciclo de esforço. As condições do mundo atual indicam que a
humanidade está em um estado de tumulto prévio a um decisivo passo adiante no
desenvolvimento da autoconsciência. O próximo passo adiante envolve a expressão
do senso de responsabilidade, que é a primeira flor e fruto da percepção
autoconsciente, uma primeira indicação de que a alma está fazendo sentir a sua
presença. O conflito atual deve-se a que o crescimento espiritual em todos os
níveis da percepção humana está enfrentando a resistência das forças não
regeneradas da personalidade, e está em andamento a batalha entre as forças do
materialismo entrincheiradas na forma humana e as forças da Luz trabalhando
através da Hierarquia Espiritual de Luz e Amor. Isto é similar à batalha final
no indivíduo entre a personalidade, o Morador do Umbral, e a alma, o Anjo da
Presença.
Capricórnio guarda
o segredo da alma, o segredo da glória oculta, revelado ao discípulo no clímax
da terceira iniciação, a transfiguração da personalidade pela alma no topo da
montanha. Mas esta revelação só pode acontecer como resultado do esforço, da
capacidade de elevar-se acima das limitações da personalidade, de persistir no
caminho ascendente apesar dos obstáculos e dificuldades. Não existe um caminho
fácil para os indivíduos se liberarem de suas próprias limitações de egoísmo e
separatividade; e não existem atalhos. É um processo longo e doloroso, no qual
finalmente aprendemos, pela experiência pessoal, que a autodisciplina, o
autocontrole e o autossacrifício constituem as pedras fundamentais do
discipulado.
Sobre estes
alicerces, a superestrutura de uma forma de vida amorosa e responsável,
refletindo os valores da alma, pode eventualmente ser desenvolvida. Este
crescimento de consciência torna-se o caminho da iniciação, o caminho para o
topo da montanha, em direção àquela luz suprema que revela a alma como o Eu
real, o Plano como a responsabilidade do discipulado e a Hierarquia espiritual
do planeta como o centro de amor ao qual a iniciação admite o discípulo
aceito.
Capricórnio é,
portanto, o signo destacado da iniciação. Todos os deuses-sol nascem neste
signo, de acordo com os antigos mitos e lendas. (Um deus-sol é aquele cuja
tarefa é revelar algum aspecto do princípio da alma: amor, luz e vontade
cósmicos.). O auge da experiência puramente humana — a terceira iniciação da
Transfiguração — é governado por Capricórnio. Nela, a alma revela sua beleza,
verdade e bondade na consciência do discípulo, confirmando sua conquista e
estabelecendo o caminho adiante. Martin Luther King falou de haver estado no
topo da montanha e visto a “terra prometida”. Ele se referia à promessa que a
alma estende a cada vida humana. A superação das limitações pessoais e das
barreiras impostas pelas circunstâncias só é possível à luz de um estado de
consciência mais elevado e inclusivo.
O caminho para
todos os discípulos até a terceira iniciação, inclusive, é o caminho do serviço
entre os “filhos dos homens”, ainda sofrendo nas planícies e nos vales da
experiência humana. Os iniciados deixam a experiência do topo da montanha para
trás, voltam as suas faces para o campo de serviço e enfocam toda a sua atenção
e todas as suas energias em atender a necessidade do reino humano.
A nota-chave do
discípulo em Capricórnio é eloquente acerca de toda esta experiência: “Perdido
estou na luz suprema, mas a esta luz eu volto as costas”. Ou, nas palavras da
nota-chave do nosso trabalho de meditação de Lua cheia, o discípulo “gira sobre
o pedestal de luz e volta-se na outra direção. Ele fica de frente para a
escuridão e, então, os sete pontos de luz dentro de si mesmo transmitem a luz
que flui para o exterior. E eis que a face daqueles que caminham na escuridão
recebe esta Luz. Para eles, o caminho já não é tão escuro. Por trás dos
guerreiros entre a luz e a escuridão, resplandece a luz da Hierarquia”.
Vamos tomar estes
pensamentos inspiradores em nossa consciência meditativa ao procurarmos cooperar
com a oportunidade de serviço proporcionada por este Festival de Capricórnio, e
concluir com a Grande Invocação.
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